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Último Adeus a Frei Angelino

 

          Faleceu na madrugada de domingo (05/04/2015), aos 90 anos de idade, José Pereira Feitosa, religiosamente conhecido como Frei Angelino, ilustre portofolhense e um dos fundadores da festa dos vaqueiros de Porto da Folha. 

Nos últimos dias e com saúde debilitada,  Frei Angelino esteve sob cuidados no Convento São Francisco em Salvador/BA. Com o agravamento da crise foi encaminhado à Unidade de Tratamento Intensiva (UTI) de um hospital da Capital baiana há três semanas.

O corpo de Frei Angelino chegou à Porto da Folha na manhã do dia 06, cujo velório se deu na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição e ao entardecer o cortejo, formado por grande número de pessoas entre parentes e admiradores, seguiu para o cemitério paroquial, onde lhe foram prestadas as últimas homenagens. 

Frei Angelino foi um eremita e frade franciscano, um dos maiores divulgadores da meditação cristã no Brasil. Ingressou  na Ordem dos Irmãos Menores em 1945 e após a ordenação, passou a organizar retiros espirituais e fazer palestras em várias congregações religiosas e dioceses em Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Bahia.

Durante sua vida dedicada à igreja, Frei Angelino atuou em vários locais, entre eles Areia Branca, Aracaju, Porto da Folha, Maceió, Olinda/PE e outros. 

Frei Angelino é autor de dois livros: “Ao Encontro de você” e “Chão necessário”.

 

por Aldaci de Souza, adaptação Joaquim Santana Neto.

 

  

Frei AngelinoFrei Angelino

 

 

 

 

 

 

 

 

Igreja Matriz - Porto da Folha/SEIgreja Matriz - Porto da Folha/SE

 

          A Paróquia Nossa Senhora da Conceição, município de Porto da Folha, na microrregião do São Francisco, ao norte do Estado de Sergipe, foi criada em 19 de Fevereiro de 1821, no pontificado do Papa PIO VII, que governou a Igreja entre os anos 1800-1823, pelo Arcebispo da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, D. Frei Vicente da Soledade Dias de Castro e desmembrada da Paróquia Santo Antônio do Urubu de Baixo (Propriá) e entregue a sacerdotes Capuchinhos e Jesuítas. Fr. Dorothéu de Loreto foi um dos frades que marcou as origens dessa Paróquia.

          Juntamente com a transferência da sede, chegou à povoação do Buraco a primeira imagem de Nossa Senhora da Conceição, que após uma breve reforma do antigo oratório foi empossada no altar mor substituindo a imagem de São Pedro ali existente. A transformação do oratório em capela mais ampla, possivelmente tenha ficado pronta em 08 de dezembro de 1841 e, a partir dali, Nossa Senhora da Conceição passou a ser concebida como Padroeira.

           Durante 16 anos a sede do morgadio permaneceu na Vila de Nossa Senhora da Conceição do Porto da Folha, período suficiente para a contenção em definitivo do nome Porto da Folha pela referida povoação.

           Para alcançar a forma atual, a paróquia passou por diversas reformas, ficando a primeira conclusa em 1861, ocasião que foi construído o coro e fachada, alterando assim a estrutura da capela anterior, cuja expansão, com a calçada, conteve o espaço onde havia alguns túmulos. As reformas da Matriz geralmente foram coordenadas pelos vigários. A partir de 1861 alguns sepultamentos de pessoas devotas, segundo informações dos mais idosos, passaram a ser efetuados dentro e nas paredes da própria igreja, de modo que a maioria dos sepultamentos seguia para o antigo cemitério da restinga.

          A principal reforma da igreja matriz de Porto da Folha ocorreu entre 1883 e 1889, onde foi introduzido o corredor lateral esquerdo juntamente com a torre do mesmo lado para quem olha da praça, modificando dessa forma a estrutura antiga. Inaugurou-se, pois, a igreja vigente, porém com uma só torre. Em 08 de dezembro de 1889 a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Porto da Folha festejou com entusiasmo a inauguração da obra sob o eco do sino mais sonoro de Sergipe na ocasião. O referido sino foi trazido da Ilha de São Pedro juntamente com outros artefatos, inclusive a imagem do Senhor morto.

Na conclusão da segunda grande reforma, em 1918, foi construído o corredor direito e a sacristia, constatou-se nesta empreitada o grande empenho do Padre Manoel José de Oliveira, embora, anteriormente, o referido missionário tivesse opinado contra a permanência definitiva da sede no Buraco. A torre direita somente veio a ser construída em 1932, graças ao esforço do Reverendo Padre Régis, responsável pelo complemento que resultou na estrutura externa e interna que se verifica atualmente, exceto a pintura de Frei Juvenal e outras modificações recentes. 

 

Padres que passaram por esta Paróquia:

Pe. Antônio José Santos Carvalho = 1818 a 1822;

Pe. Gaspar de Farias Bulcão = 1822 a 1834;

Fr.  Dorothéu de Loreto (Cap.) = 1855 a 1875;

Pe. Francisco José dos Santos = 1875 a 1887;

Pe. Manoel José de Oliveira = 1885 a 1897;

Pe. Gonçalves Lima = 1897 a 1911;

Pe. Jevêncio Britto = 1911 a 1912;

Pe. Hortensio Vieira dos Santos = 1912 a 1913;

Pe. Manoel José de Oliveira = 1913 a 1922;

Cônego Flodoaldo de Brito Fontes = 1922 a 1923;

Pe. Jugustho França (Vigário Cooperador) = 1922;

Pe. Antônio de Freitas = 1923 a 1929;

Pe. Arthur Passos = 1929;

Pe. Gonçalo Lima = 1930 a 1931;

Pe. Regis = 1931 a 1935;

Pe. Evêncio Guimarães = 1935 a 1939;

Pe. José da Rocha Bruno = 1939 a 1946;

Pe. Gonçalo Lima = 1946 a 1951;

Pe. Dácio de Almeida Nunes = 1951 a 1961;

Pe. Adriano Huggens (Pe. Alfredo) 1961 a 1963;

Pe. José Amaral de Oliveira = 1963;

Pe. Paulo Lebeau = 1963 a 1966;

Pe. Eduardo Dnnlinl = 1966 a 1968;

Pe. Paulo Lebeau = 1968;

Fr. José Caio Feitosa (Ofm) (Fr. Angelino) = 1968 a 1972;

Fr. Juvenal = 1972 a 1974;

Fr. Roberto Eufrásio de Oliveira = 1974;

Fr. Enoque Salvador de Melo = 1974 a 1989;

Pe. Isaías Carlos do Nascimento Filho = 1989 a 1995;

Pe. Marivaldo da Conceição = 1995 a 1999;

Pe. Edinaldo de Oliveira Silva (3 meses: JAN/MAR) = 2000;

Pe. Antônio Rodrigues de Sousa = 2000 a 2012;

Pe. Francisco Luiz de Barros Filho = 2012 a 2016;

Diác. Rodomarques Rodrigues dos Santos (celebrou algumas missas entre 2014 e 2015);

Pe. Melchizedeck de Oliveira Neto = 2016 aos dias atuais.

 

 

Frei AngelinoFrei Angelino

Angelino Caio Feitosa 

(Frei Angelino)

 

           José Pereira Feitosa é o nome de batismo de Frei Angelino, nascido em Porto da Folha aos 09 de janeiro de 1925, filho de Manoel Caio Feitosa e Maria Rosa Pereira Feitosa. 

          Frei Angelino praticamente viveu sua infância na terra natal, onde concluiu na Escola da professora Raquel o Curso Primário. Com 13 anos de idade foi aprovado no exame de admissão ao Ginásio na cidade de Propriá, cursando ali a 1ª e 2ª séries. 

          A família percebendo desde cedo sua vocação para o celibato, tratou de conceder as condições necessárias para que ele prosseguisse com seu ideal, enviando-o para o seminário franciscano no Estado da Paraíba em 1940. 

          Em 1945, no Colégio Seráfico de Santo Antônio de Ipuarana, Lagoa Seca/PB, concluiu o curso médio, ingressando neste mesmo ano, em Olinda/PE, na Ordem Franciscana para fazer o noviciado no Convento de São Francisco, foi ali que recebeu o nome Frei Angelino Caio Feitosa, OFM. 

          Após concluir o noviciado, Frei Angelino iniciou sua vida franciscana, passando a cursar filosofia no mesmo convento. Posteriormente, em 1949, concretizou no convento de São Francisco em Salvador/BA a Profissão Solene, onde participou do curso de teologia. 

          Sua ordenação sacerdotal “presbiteriana” se deu em 15/08/1953 na cidade de Campos do Jordão/SP devido à necessidade de tratamento de doença pulmonar naquele Estado, por este motivo houve o retardamento de sua ordenação. 

          No dia 23/08/1953, Frei Angelino celebrou sua primeira missa, cuja solenidade aconteceu em Porto da Folha meio à grande festa promovida pelos familiares. 

          Estando em Porto da Folha recém ordenado, recebeu autorização do Provincial para permanecer na terra natal, restabelecendo-se na casa dos pais. Na sua cidade ficou por mais de seis meses prestando importante contribuição ao Padre Gonçalo Lima nas atividades paroquiais. 

          Após a estadia em Porto da Folha, Frei Angelino foi designado Vice-reitor da Escola Apostólica de Canindé, no sertão do Ceará, onde também foi professor, de 1954 a 1958, preparando os alunos para o Seminário Diocesano e para o Colégio Seráfico de Ipuarana, dos franciscanos. 

          Na trajetória de educador, Frei Angelino foi transferido par o Seminário de Ipuarana, tendo sido professor de Religião, Português, Grego e Alemão, de 1959 a 1961, além de exercer o cargo de prefeito dos médios (encarregado de acompanhar o dia a dia dos alunos com idades intermediárias entre os mais velhos e os mais novos), em geral os de 3º a 4º anos ginasiais. Devido ao seu zelo na formação dos futuros frades, Frei Angelino foi transferido em 1962 para o Convento de Serinhaém/PE, para ser o Mestre dos Noviços, permanecendo nesta atividade até 1968. 

 Experiências fora do convento 

          Estava ocorrendo, na década de 1960, profunda transformação no mundo, inclusive na própria igreja, por conta das inovações introduzidas pelo Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965), que proporcionou a abertura e a adaptação da igreja aos tempos atuais; da Teologia da Libertação, adotada por uma ala da igreja da América Latina, que prega a opção preferencial pelos pobres e a sua inserção nesse meio, momento que no Brasil vigora a ditadura militar, onde surgiam muitos movimentos, também dentro da igreja, contra a tortura, a opressão a falta de liberdade. 

          Com o idealismo cívico aguçado e movido por sentimento libertário, Frei Angelino, que há alguns anos vinha participando dos encontros pastorais em Recife, promovidos e ministrados por Dom Hélder Câmara (o bispo mais vigiado e odiado pelos órgãos de repressão da ditadura militar), resolve sair do convento para viver a experiência de São Francisco de Assis entre os pobres. Porto da Folha é o lugar escolhido por ele para implantar esplêndida inovação. Chegando nesta cidade em 1968, ao invés de se hospedar na residência dos pais ou na casa paroquial, preferiu uma humilde casa na Rua Francisco Alves Feitosa Franco (rua da baixinha). 

          Em 1969 chegaram a Porto da Folha mais dois franciscanos, ainda estudantes do curso de Teologia: Frei Roberto Eufrásio de Oliveira e Frei Enoque Salvador de Melo, ambos sintonizados com a nova era política e religiosa. Em 1970, Frei Juvenal Vieira Bonfim, que também tinha sido professor em Ipuarana e, posteriormente, vigário da Paróquia de São Pio X, em Aracaju, vinha sendo observado por agentes do regime militar, optou por uma vida menos oprimida juntando-se a Frei Angelino e demais religiosos que se achavam em Porto da Folha. Ali viveram vida simples entre os pobres e cultivando a terra numa pequena roça da paróquia. 

          Em Porto da Folha estes frades contribuíram significativamente para o aprimoramento cultural dos jovens da época, inclusive para a implantação do Ginásio local e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, introduzindo a comunidade a uma vivência cristã mais consciente. Foi através de Frei Angelino que surgiu a Festa dos Vaqueiros em Porto da Folha, quando este reuniu os vaqueiros e formou uma diretoria composta de cinco membros. 

          Outros detalhes da atuação desse núcleo pastoral no resgate da cidadania portofolhense, encabeçado por Frei Angelino, estão no livro PORTO DA FOLHA, fragmentos da história e esboços biográficos, de Manoel Alves de Souza. 

          Em 1973, Frei Angelino e Frei Juvenal decidem deixar Porto da Folha, a fim de implantarem esta experiência noutra região pobre. Paranatema/PE foi o local escolhido por eles, visto que Frei Roberto e Frei Enoque posteriormente também saíram de Porto da Folha. 

          Além do que foi aqui abordado a respeito deste eremita e frade franciscano natural de Porto da Folha, existem algumas publicações de sua autoria: Estrela Guia; Chão Necessário; Ao encontro de Você; A Graça de Viver; Renasça pela Contemplação e outros artigos publicados no Estado de Pernambuco.  

Fonte:  Texto baseado nas informações contidas no livro “PORTO DA FOLHA” Fragmentos da História e Esboços Biográficos, de Manoel Alves de Souza. Por Joaquim Santana Neto.