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Cônego João LimaCônego João Lima

 Cônego João Lima 

       

          João Lima Feitosa (Padre João Lima) nasceu em Porto da Folha, a 09/05/1925, filho de José Moreira Feitosa (Zezé Picurino) e Ester Alves Feitosa.

          Foi batizado no dia 15 de junho do mesmo ano pelo Padre Antônio de Freitas, tendo como padrinhos o seminarista Gonçalo de Souza Lima e Nossa Senhora da Conceição (padroeira do município)

          Até a conclusão do curso primário, João Lima estudou na terra natal, na escola da professora Raquel Rodrigues Bernardino. Já na adolescência, sendo ele de boa aparência física, simpático e de fácil relacionamento, estava sendo despertado pelos olhares enfeitiçados das mocinhas, revelando-se um jovem namorador. Seu Zezé, temendo que resultasse disso um casamento prematuro com o comprometimento do futuro do filho, pois não queria que ele tivesse vida difícil nesta terra de poucas opções, solicitou ao compadre Pe. Gonçalo de Souza Lima, padrinho de João Lima, que o levasse para o seminário, no que foi plenamente atendido.

          A 05/03/1940, João Lima foi matriculado no Seminário Menor Diocesano de Aracaju, lá estudando Ginásio e Científico, equivalentes ao Ensino Fundamental e Ensino Médio atuais. Antes, porém, de concluir o Seminário Menor, o seu padrinho e benfeitor, Pe. Gonçalo Lima, deixara de custear os seus estudos. Com receio de ser dispensado do Seminário por falta de pagamento, João Lima andava preocupado, já que sua família não dispunha de condições financeiras para fazer face a essas despesas. Dona Isabel Mesquita, natural de Frei Paulo, sogra do empresário Oviêdo Teixeira, uma senhora católica de muitas posses e frequentadora do Seminário, percebeu a mudança de humor do seminarista e o tranquilizou, comprometendo-se a bancar os seus estudos.

          João Lima continuou os estudos. Ao concluir o Seminário Menor, partiu para o Seminário Maior. Em 25/02/1947 estava matriculado no Seminário Central de Belo Horizonte/MG, para estudar filosofia; concluído este curso, foi para o Seminário Provincial de Maceió/AL, para cursar Teologia em 25/03/1949, vindo a concluir este curso ao final de 1953. 

          A ordenação do Padre João Lima aconteceu em Maceió/AL em 08/12/1953, dia de Nossa Senhora da Conceição, sua madrinha de batismo e a Santa de sua devoção. Em seguida, o Padre João Lima veio a celebrar sua primeira missa na terra natal Porto da Folha. Ao tempo de sua ordenação sacerdotal, o vigário de Porto da Folha e Gararu, Padre Gonçalo Lima andava doente e teve a promessa do bispo Dom Fernando Gomes, de que o jovem Pe. João Lima seria nomeado para a paróquia de Gararu, mas Dona Izabel Mesquita interferiu, solicitando sua nomeação para a paróquia de Frei Paulo. Finalmente o bispo atendeu ao clamoroso pedido, nomeando o Padre João Lima para a paróquia de Frei Paulo. O Padre João Lima manteve por toda vida amizade a Sra. Izabel Mesquita e aos familiares dela.

          Consta que o reverendo prestou relevantes serviços à cidade de Frei Paulo onde permaneceu até a morte, sendo qualificado como pároco de ação notória durante sua permanência naquele município. 

          O Padre João Lima faleceu em Aracaju aos 68 anos de idade dia 22/06/1993, sendo sepultado na Igreja Matriz de Frei Paulo/SE (sede da paróquia que ele dedicou seus 39 nos de vida sacerdotal). Em reconhecimento a sua dedicação, a comuniudade portofolhense o tem como notável filho. 

 

 

 

Fonte: Resumo biográfico de ambos párocos foi transcrito do livro “Porto da Folha – Fragmentos da História e Esboços Biográficos”, de Manoel Alves de Souza. Maiores detalhes sobre estes estão na citada obra.

  

 

 

 

Igreja matriz Porto da Folha/SEIgreja matriz Porto da Folha/SE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Padre GervásioPadre Gervásio

Padre Gervásio de Souza Feitosa

           Gervásio de Souza Feitosa é natural de Porto da Folha, nasceu dia 24/04/1907, filho de Manoel Ezequiel de Souza Feitosa e Adélia de Souza Feitosa.

          Apesar da morte precoce do Sr. Ezequiel em 1919, a família ficou protegida financeiramente, pois havia deixado algumas propriedades de considerável valor, isso fez com que Gervásio de Souza concluísse todos os cursos, do ginásio ao superior no Seminário Diocesano de Aracaju, e prosseguisse com firmeza em direção ao principal objetivo.

          Aos 24 anos de idade, Gervásio de Souza Feitosa foi ordenado sacerdote por Dom José Tomaz Gomes da Silva. Estando no Seminário Maior, Gervásio foi professor no Seminário Menor entre 1927 e 1929. Recém-ordenado, foi nomeado Capelão da igreja São Salvador em Aracaju, e desta foi transferido para a paróquia de Japoatã; a seguir, para a de Vila Nova (Neópolis); e , finalmente para a capela de Campo do Brito onde permaneceu por cerca de 20 anos.

          Pároco trabalhador, pregador vibrante. Padre Gervásio dedicou-se muito a igreja, inclusive construindo capelas e reformando igrejas por onde passou, a exemplo da igreja de Santo Antônio em Neópolis, que foi toda reformada recebendo um forro novo de madeira; essa reforma foi feita em mutirões utilizando mão de obra de jovens e crianças. Segundo ele, essa era a maneira pedagógica de envolver a comunidade na obra de Deus. Nesta época o Padre Gervásio publicou um livro de poesias, intitulado “Flutuantes”, todas as poesias em louvor a Nossa Senhora.

          Devoto fervoroso de Nossa Senhora da Conceição, que ele emocionado e às vezes lacrimejando chamava minha madrinha. Padre Gervásio não perdia a festa de 08 de dezembro em Porto da Folha, vez em quando vinha com o Padre João Lima Feitosa ou sozinho dirigindo seu jipe para a festa que ele tanto gostava. Repetiu esse gesto enquanto as condições físicas permitiram. Padre Gervásio era alegre, bem humorado, mas quando perdia a paciência ficava bravo. Era destemido e determinado. Numa destas viagens anuais para a Festa da Padroeira em Porto da Folha, parou o jipe perto de um grupo de pessoas às margens do riacho Gararu, era noite e as pessoas estavam com medo de atravessar na velha ponte de madeira, em face das chuvas de trovoada que elevavam o nível do riacho e a ponte parecia não resistir a força das águas. Ele voltou ao jipe e, em meio a advertência do perigo, avisou: “Oh povo sem fé! Saiam da frente que eu vou passar; estou com a proteção de minha madrinha Nossa Senhora da Conceição”, e desapareceu na escuridão, pela estrada enlameada e esburacada, em direção a Porto da Folha.

          Em meados da década de 1960, Dom José Vicente Távora o transferiu da igreja de Campo do Brito para Aracaju e não lhe deu mais paróquia, arranjou-lhe um emprego de Professor na rede municipal e o aconselhou a solicitar dispensa do Ministério Sacerdotal, a fim de cuidas das filhas que ele tinha em Campo do Brito. Ele aceitou, em parte, a proposta do Bispo. Mudou-se para Aracaju, e tornou-se professor de Moral e Cívica do Colégio Getúlio Vargas, mas por problema de consciência não solicitou a dispensa do ministério. Vendeu a fazenda de 600 tarefas, que tinha perto da cidade de Campo do Brito,onde criava gado, comprou um sítio de 100 tarefas no Feijão, município de São Cristóvão, para veraneio e finais de semana, e uma casa na Rua Rosário no bairro Santo Antônio em Aracaju. Foi buscar as filhas em Campo do Brito – Maria de Fátima, Maria das Graças e Daliane – e passou a morar com elas nesta casa, dedicando-se ao magistério e às filhas.

          Aposentado, com as filhas criadas e encaminhadas na vida, Padre Gervásio mudou-se para a Casa Paroquial da Catedral, na Praça Monsenhor Olímpio Campos, formando uma comunidade com os Padres Osvaldo, Claudionor e Arnóbio. Na capelinha da casa paroquial, ele celebrava missa diariamente às 6 horas da manhã. Por essa época, Dom Luciano ofereceu-lhe uma paróquia, mas já idoso, Padre Gervásio não aceitou. O Bispo recomendou, então, que ele solicitasse dispensa do ministério, mas ele se recusou. O Bispo recorreu a Manoel Assis Feitosa, irmão do Padre Gervásio, para interceder no caso, mas ele foi irredutível. Continuou no ministério, sem paróquia. Em conversa com o sobrinho Hermógenes Feitosa de Oliveira, ele confidenciou: “Eu tive meus problemas, mas não posso deixar o sacerdócio. Quando agente se ordena, torna-se Padre para sempre”.

          Com idade avançada, o Notável Padre Gervásio foi morar com a filha Maria de Fátima no bairro São José em Aracaju, onde faleceu aos 82 anos, dia 14/06/1989.